Alimentação, saúde e beleza

Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio.” (Hipócrates)



Amanhã, dia 31 de março é o dia da Saúde e Nutrição. Emílio Peres, médico portugues, já dizia “somos o que comemos.” Mas o que temos comido ultimamente?

Comer é algo instintivo, pois nosso corpo sabe que precisa dos alimentos, fonte de energia e nutrientes para se manter funcionando.

Nossos antepassados pré-históricos se alimentavam do que conseguiam capturar ou encontrar. Com o domínio do fogo as práticas da cozinha se aperfeiçoaram e se desenvolveram. O aprendizado do plantio e da criação de animais diminuíram as dificuldade de encontrar os alimentos. Assim os homens passaram a escolher determinados alimentos de acordo com suas preferências e descobriram maneiras diferentes de consumi-los. Viver em grupo e a divisão de funções, trouxe a possibilidade de cozinhar para o outro e comer em família. Esta passou então a ser uma prática cheia de requintes com uma variedade enorme de cardápios e sabores. Se alimentar hoje não é mais apenas dar nutrientes ao corpo, mas também a alma. Os pratos podem dar prazer, com visual, aromas e texturas além do sabor.

A industrialização possibilitou os alimentos processados. Farinhas, cereais, óleos e açúcar passaram a ser produzidos em grande escala, facilitando o acesso e o consumo.

Com o avanço tecnológico técnicas tradicionais de conservação dos alimentos foram substituídas por geladeiras, freezers, enlatados e embutidos industrializados.

Se por um lado a industrialização e a tecnologia trouxeram praticidade aos profissionais do ramo gastronômico e às cozinhas em geral, por outro lado eles acabaram colocando em risco saberes tradicionais que há séculos eram usados por nossos antepassados. Hoje temos à disposição produtos alimentícios industrializados de todos os tipos, congelados, desidratados, hortifrutigranjeiros industrializados, carnes modificadas, cores e sabores artificiais e outros produtos químicos para modificar o gosto e a percepção deles.

E agora, ainda temos, os alimentos ultraprocessados, que são produzidos com adição de variados ingredientes naturais, como sal, açúcar e óleos, com alimentos processados como extrato de carne, proteína de soja e gorduras hidrogenadas mais substâncias sintéticas, feitas artificialmente a partir de substanciais como carvão e petróleo (!!!). Estes alimentos têm prazos de validade longos e cor, sabor e textura modificados de forma a “agradar” o paladar. São exemplos de tais alimentos os biscoitos recheados, os macarrões instantâneos, os salgadinhos e os refrigerantes. Geralmente são alimentos de baixo custo, que além de buscar atender ao paladar, agrada ao bolso, muitas vezes um biscoito recheado custa menos que uma maçã...

A vida longe dos campos distanciou as pessoas e principalmente as crianças dos ciclos naturais das plantas e, consequentemente, dos alimentos vegetais. Apesar de amarem batatas fritas, muitas crianças não sabem identificar uma batata na forma como ela sai da terra...Legumes, verduras e outros sabores naturais se tornaram estranhos e de difícil aceitação para os paladares acostumados a sabores artificiais cheios de açúcar ou sódio.

Tudo isso aliado ao ritmo corrido da vida nas grandes cidades resultou em uma alteração do comportamento alimentar. Os hábitos alimentares atuais têm se distanciado dos alimentos in natura, dificultado a percepção tanto da origem dos ingredientes que compõem o prato consumido quanto da importância dos ritmos ciclos da natureza

Estes tipos de alimentos e métodos de processamento alteram de forma desfavorável a composição nutricional dos alimentos, perdendo vitaminas e minerais e aumentando o sódio e as calorias, causando disfunções nutricionais. A prova disso é o alto consumo de complexos vitamínicos que chegam para repor nutrientes que seriam facilmente adquiridos através de uma alimentação balanceada.

É preciso voltar às origens, lembrar que se alimentar vai além do prazer visual, de aromas, texturas e sabores. É, principalmente, alimentar o corpo, de forma completa e equilibrada. É um convite para se reinventar na cozinha, afinal pratos com ingredientes naturais podem ser simples de fazer e mais gostosos! Temos uma variedade enorme de cores e texturas naturais que podem criar os mais variados gostos de forma nutritiva e saborosa.

Uma boa alimentação, com alimentos naturais variados, reflete diretamente em uma boa saúde, disposição e beleza. O hábito de se sentar juntos na mesa, comer com calma, de preferência comidas caseiras, com saladas cruas, proteínas e carboidratos é extremamente importante e tem ficado em segundo plano nas vidas familiares. É um momento maravilhoso para as crianças que podem contar seus feitos durante o dia e compartilhar momentos saudáveis com os pais. Pode ainda trazer aspectos sagrados, inspirando pelo exemplo e despertando sentimentos de reverência. A simples pausa para agradecer à vida pela oportunidade do pão em nossa mesa e todos os que participaram para que ali estivesse o alimento já faz toda a diferença! Fica a sugestão de uma pequena trova: “Terra que esses frutos deu, Sol que os amadureceu, nobre terra, nobre Sol, jamais os esqueceremos” (Rudolf Steiner)

No final do ano de 2019 o Ministério da Saúde lançou o Guia Alimentar para a População Brasileira. É um guia prático, de fácil leitura e com informações importantes sobre nutrição e alimentação que está disponível para download gratuito na internet. Foi elaborado pela Coordenação Geral de Alimentação e Nutrição do MS e tem como propósito oferecer à população informações sobre alimentação saudável para promoção da saúde. Cuida também da prevenção das doenças crônicas cuja associação com sobrepeso/obesidade, consumo excessivo de alimentos processados e ultraprocessados têm sido verificadas pela literatura científica.

Traz ainda informações preciosas sobre alergias, e o uso isolado de nutrientes que se tornam modas ou vilões, enfatizando a que a combinação entre os alimentos promove saúde de forma integral. Incentiva o consumo de alimentos in natura e expõe os riscos dos alimentos industrializados. Outra questão importante abordada é a sustentabilidade do sistema alimentar e as formas de impacto associadas à produção e sua distribuição justa e integrada ao ambiente.

O M.S. disponibiliza ainda um guia próprio para alimentação de crianças menores de dois anos com aprovação do Conselho Nacional de Pediatria.

Os guias estão disponíveis nos links abaixo:

https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf

http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf


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