24 de dez de 2020

Perdão - uma questão de escolha

Assim como a calma, o perdão é uma escolha. Não de algo pronto, como quando se escolhe um prato na ceia de Natal, mas algo que se nos apresenta permanentemente como convite e que se cultiva nas relações, seja com nossos amigos, nossos inimigos ou conosco mesmos.
 

 
A palavra Perdão vem do Latim perdonare, de per-, “total, completo”, mais donare, “dar, entregar, doar”

São citados como sinônimos do perdão: absolver, desculpar, esquecer.
 
Como já foi dito, de forma divertida, “perdoar não é esquecer.. isto se chama amnésia”.
 
Desculpar ou absolver, pressupõe um juízo, onde um lado identifica um outro, culpado.

São posturas louváveis e, mais que isso, são passos onde a escolha já se faz presente.

A primeira escolha, é a de buscar clareza, o que muitas vezes precisa de uma boa dose de coragem e de humildade, para identificarmos nossos pontos de sensibilidade, a partir do que nos injuriou. Daí, reconhecermos o sentimento que foi desencadeado em nós, assim como a necessidade que não foi atendida e então nos posicionarmos.
 

 

No esquecimento, há a escolha de não realimentar (re.sentir) em mim a lembrança do que me machucou. É um passo necessário para que a ferida cicatrize.

Quando desculpo, reconheço em mim, um âmbito de compreensão para o qual o outro ainda não despertou. Esse passo traz em si uma grande responsabilidade e nos dá a oportunidade de reconhecer que todos nós temos aspectos ainda adormecidos.


 
Por diversas tradições, em diferentes momentos pessoais ou históricos, a experiência do perdão representa uma das principais expressões de liberdade

A mais sagrada comemoração da tradição judaica é o Yom Kipur, é Dia do Perdão judaico onde, a partir do arrependimento, sua alma pode ser purificada.⁣ Assim, não podemos esquecer que o perdão começa em nós.
 

 

Quando o Cristo evoca, em momentos de profundo sofrimento: “Deus, perdoai-os, eles não sabem o que fazem”, nos revela em resplandescente grandeza, que ele não levou para si as ofensas que sofreu.
 

 

No Budismo é dito que ‘Compaixão é perdoar sem que a pessoa saiba disso’
 

 
Assim, não devemos esquecer que a responsabilidade do perdão não é do outro. Ele começa em nós, doando de forma plena e nos integrando a nós mesmos e aos outros.
 
Compreendemos então que onde a Compaixão, o Amor e Perdão se encontram, aí nasce a liberdade.
 

 

https://www.artofliving.org/br-pt/yoga/patanjali-yogasutras/nota-de-conhecimento-45
 
https://segredosdomundo.r7.com/yom-kipur/
 
https://www.youtube.com/watch?v=DgAsthY2KNA Introdução à Comunicação Não-Violenta - Workshop por Marshall Rosenberg